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Contracultura

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por Lu Lemasson

  A contracultura nascida nos anos 60 já não existe. “Paz e amor”, flores e motivos psicodélicos não são mais sinônimos de oposição e rebeldia. Os hippies e os líderes dos movimentos contra as sociedades hipócritas ficaram para trás. Grande parte dos adolescentes estão alienados e não se interessam mais pela política como os que conspiraram contra a ditadura de 68 no Brasil. Aliás, os jovens de todo o mundo estão cada vez mais parecidos, numa busca frenética pelo inusitado, seja ele o que for. E é na pele desses “desencanados” que vive a contracultura dos dias de hoje.

Alternativa: essa é a nova ordem. Os ensinamentos do mestre Timothy Leary estão mais atuais do que nunca. O “surfar no caos”, que uma vez se referia ao uso de LSD para “abrir” a mente, é seguido à risca pela mocidade do espaço cibernético.

A revista Parafernália é um exemplo disso. Segundo M. França, a publicação está interessada em contribuir para “deglutinar o espaço libertário e global” e se rebelar contra o “marasmo intelectual em que a sociedade moderna convive”. A revista – que não tem periodicidade definida porque na opinião de França a arte não pode ter deadline – não pretende criar mitos, movimentos ou rebeldias, mas “lançar no ventilador uma série de recortes, desvarias e convulsões”.

Um poema da contracultura brasileira abre o editorial da Parafernália de setembro de 98:

“a parafernália vai não vai

a parafernália movimenta bits

desarte inventa insight

a parafernália, um mundo

a parafernália é um mundo de

chips, recortes, desvarias.

a parafernália inverte

o traço o bit

o mundo todo gira, rebenta a rede.”

A constante da nova contracultura parece ser a desestruturação do que existe. Não é uma questão de mudar a roupagem e arrepiar os cabelos como os punks fizeram no início dos anos 90. O rock, símbolo da rebeldia dos anos 60, hoje é um mosaico de tendências musicais, tantas quantas são as tribos, grupos de jovens que sugerem novos valores e se destacam pela autenticidade.

A nova geração de contracultura não segue líderes como a anterior. De acordo com R.U.Sirius, que escreveu um artigo para a edição de 9 de novembro de 1998 da revista Time, “a nova contracultura não tem líderes aprovados pela mídia”. Sirius acredita que existe um segmento dentro desse novo movimento muito mais sofisticado e não conformista do que a Nação Woodstock já foi. O co-fundador da revista Mondo 2000 também comenta que os festivais de hoje, como a “Lollapalooza, são mais liberais com relação aos sexos e etnias do que os que os hippies realizavam”.

Os jovens de filosofia “simplista popular hindu” teriam sido, ainda citando Sirius, substituídos pelos inteligentes e espertos programadores de computador, “polimatemáticos” de visão antropológica. Estes jovens criaram boletins como os MUDs e MOOs, espécies de ponto de encontro, painéis para troca de idéias dentro do espaço virtual. Chega a ser complicado para um leigo entender os novos termos usados nessa matéria, provavelmente parte do corrente vocabulário cibernético.

O site “disinformation”, que quer dizer “desinformação” em português, acessado pelo endereço www.disinfo.com é um bom exemplo do movimento da contracultura. No menu, a opção “contracultura” leva a uma lista de links com temas diversos para discussão como por exemplo profecias bíblicas, controle da mente, o bug do milênio, “cientologia” e vida extraterrestre. Encabeçando a lista da página que tem o nome “revolucionários” está o papa do LSD Timothy Leary. Um pouco abaixo estão “Aleister Crowley: a grande besta 666”, “o verdadeiro Jesus” e Allen Ginsberg, entre outros.

A contracultura atual não tem um objetivo comum como a que combateu a guerra do Vietnã. Os adolescentes de hoje nem sempre crescem ouvindo a mensagem do consenso geral, uniforme, construída e transmitida por uma mídia centralizada. Agora existem tevês a cabo e Internet. Para os jovens internautas, estar informado atualmente não é ler os jornais com as notícias do dia. A quantidade de informação disponível é tão grande que já existem cursos que ensinam a selecioná-la. Para eles, a qualidade das informações e o debate sobre as mesmas são mais importantes que o volume.

 
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Publicado por em novembro 18, 2007 em artigo, contracultura