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LANÇAMENTO DE BRUNO BRUM NO SUL DE MINAS É O PRIMEIRO EVENTO DO PROJETO MACABÉA

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Artista de Belo Horizonte, Bruno Brum, sobrinho do nosso macabeu Alan Marques , virá a Monte Santo de Minas-MG para o lançamento de seu livro, que será o primeiro evento realizado pelo Projeto Macabéa. Monte Santo é onde esse Jerico reside, onde foi arquitetado e elaborado todo o Projeto Macabéa.

Bruno diz no blog-release do livro (http://cada07.blogspot.com/):

Publicado em novembro de 2007, Cada é meu segundo livro. São ao todo trinta poemas, nos quais procurei explorar mais a fundo as possibilidades do verso: música, imagem, pensamento. Um livro em que o elemento ritmo assume fundamental importância. Também assino o projeto gráfico, que conta com ilustrações elaboradas a partir dos desenhos do anatomista espanhol Juan Valverde de Amusco (1525-1564) e tipografia neo-humanista desenhada por Hermann Zapf, compondo um conceito visual pautado pela tensão entre o que se atualiza e o que se repete, entre continuidade e ruptura: Cada. O livro foi editado em parceria com o LIRA (Laboratório Interartes Ricardo Aleixo), uma incubadora de projetos artísticos e culturais que, além da atuação editorial, também concentra as atividades didáticas, de pesquisa e criação de seu idealizador.

Ana Elisa Ribeiro, publicou isso no Caderno Pensar no jornal ESTADO DE MINAS:

Biscoitos finos de Bruno Brum

[Texto publicado no dia 01/12/2007,

no Caderno Pensar, do jornal Estado de Minas]

por Ana Elisa Ribeiro
 

Bruno Brum nasceu em Belo Horizonte, bem no começo da década de 1980. Essa é uma das razões pelas quais ele pode ser considerado representante de uma geração de poetas novos. Não apenas jovens e nem apenas genuinamente belo-horizontinos, mas experimentadores das facilidades digitais e leitores de umas tantas safras de outros poetas. Bruno Brum é novo não apenas porque conta poucas décadas de idade, mas principalmente porque consegue renovar, com sutileza e eficácia, a poesia feita em Minas.
Há poucos dias, um grupo de escritores discutia quem são os novos (e jovens) romancistas mineiros. A questão é embaraçosa até para os bem informados plantonistas da cena literária. Se existir algum, dizia a atrevida roteirista, ainda não conheci. Quando se perguntavam por uma nova geração, certamente queriam dizer representantes que passaram os anos 1990 às voltas com computadores e literatura. Já o caso da poesia é bem outro. Há não apenas poetas revigoradores, mas também agitadores de um cenário até bem pouco acostumado aos mesmos nomes.
Mesmo entre os mais jovens, Bruno Brum desafina o coro e cria timbres muito particulares. O poeta faz o mais difícil de tudo: escrever de forma personalíssima a ponto de um texto seu poder ser reconhecido como só seu. Não apenas atravessado pela referência honrosa de fulano ou sicrano; nem porque tem este ou aquele acorde do poeta mais lido das suas prateleiras, mas porque já conseguiu, ainda no segundo livro, deixar no papel pistas inequívocas de sua autoria.
No primeiro livro, Mínima idéia, Bruno Brum brinca, talvez, mais com as imagens do que propriamente com as palavras. Autor dos textos e do projeto gráfico, conseguiu como resultado um livro cheio de detalhes tipográficos e arranjos de páginas. Naquela experiência de leitura, era possível arriscar que Bruno tivesse lido demais os concretistas de São Paulo ou escrito seus poemas todos à sombra de algum poeta meio artista gráfico. E são muitos, e talentosos. Mas neste Cada, que Bruno lança pelo selo Lira, o Laboratório Interartes Ricardo Aleixo, os poemas estão mais espaçosos do que os jogos de diagramação.

É comum encontrar uma página inteira dedicada a uma estrofe, quase um haikai, não fosse o jeito insolente dos versos. Para ter alguma mínima idéia da amplitude da poesia de Brum, as epígrafes vão de Chacal a Horácio, necessariamente nessa ordem. A seleção de textos e a seqüência em que eles estão dispostos não deixam dúvidas: trata-se de um livro editado, não apenas de um amontoado de liras sobrepostas, à espera de qualquer efeito de sentido.
Ímãs
Não há partes ou capítulos. Os poemas vêm meio avoados, parecendo colados com ímãs. Os primeiros versos são quase cálculos: “Da esquerda para a direita/ o primeiro está entre/ o zero e o um”, bem ao modo booleano de quem trabalha com editoração eletrônica. Mas os zeros e uns de Bruno Brum são sempre positivos. A pequena série “Os ursinhos cabulosos” merece menção especial. Não se parece com mais nada. Rebeca, a lesma lésbica, é narrada por um eu lírico lesmoliso. “Pensombra” é imagem sem precisar brincar com fontes e cores: “sempre que reparo/ minha sombra/ me ultrapassa/ se amarrota/ no entanto/ se a assopro”. Não resta dúvida de que o poeta faz galhofa até com a própria sombra. E se finge de triste, vez ou outra, como se numa levada levemente Pessoa: “Onde você estava no dia onze de agosto de mil/ novecentos e trinta e quatro?”. Será que ele quer mesmo resposta? Ou é poeta à procura da provocação?
Em 48 páginas, em formato quase de bolso, Bruno Brum deixa a “mínima idéia” no passado e faz de Cada um belo mostruário de poemas inteligentes, biscoitos finos de fato, sem ambigüidade.

[Ana Elisa Ribeiro é poeta e professora do Cefet-MG. Publicou Poesinha (1997) e Perversa (2003). É cronista do site Digestivo Cultural]
 

Aproveite pra conhecer além da bela obra de Bruno, o carnaval dessa gostosa cidade do sudoeste mineiro, conhecer também a raiz do Projeto Macabéa.

Conheça o SABOR GRAXA de Bruno!

Informações pelo e-mail andre@ideiadejerico.com
Fone: 35 9131.6777 ou 35 3591.4293 

Cada, 48 páginas, 12 x 18cm, brochura, em papel Pólen Bold (miolo) e Reciclato (capa).
Valor: R$15,00 (despesas de envio já incluídas).
Pedidos apenas pelo e-mail: bn.brum@gmail.com

 
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Publicado por em dezembro 17, 2007 em bruno brum, cada, evento, macabea