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ARTE DA POESIA – Ezra Pound

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Bela do Bocoióla mandou esse texto essencial pra os artistas das letras. 

“Não use palavras supérfluas, nem adjetivos que nada revelam. Não use expressões como dim lands of peace (brumosas terras de paz). Isso obscurece a imagem. Mistura o abstrato com o concreto.Provém do fato de não compreender o escritor que o objeto natural constitui sempre o símbolo adequado.

Receie as abstrações. Não reproduza em versos medíocres o que já foi dito em boa prosa. Não imagine que uma pessoa inteligente se deixará iludir se você tentar esquivar-se obstáculo da indescritivelmente difícil arte da boa prosa subdividindo sua composição em linhas mais ou menos longas. O que cansa os entendidos de hoje cansará o público de amanhã. Não imagine que a arte poética seja mais simples que a arte da música, ou que você poderá satisfazer aos entendidos antes de haver consagrado à arte do verso uma soma de esforços pelo menos equivalente aos dedicados à arte da música por um professor comum de piano. Deixe-se influenciar pelo maior número possível de grandes artistas, mas tenha a honestidade de reconhecer sua dívida, ou de procurar disfarçá-la. Não permita que a palavra “influência” signifique apenas que você imita um vocabulário decorativo, peculiar a um ou dois poetas que por acaso admire. Um correspondente de guerra turco foi surpreendido há pouco se referindo tolamente em suas mensagens a colinas “cinzentas como pombas”, ou então “lívidas como pérolas”, não consigo lembrar-me. Ou use o bom ornamento, ou não use nenhum”.

POUND,Ezra. Arte da Poesia, Ensaios. Tradução de Heloysa de Lima Dantas e Paulo Paz. São Paulo: ed. Cultrix, 1976, p.11-12 .

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Publicado por em novembro 24, 2007 em artigo, ezra, igo

 

Contracultura

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por Lu Lemasson

  A contracultura nascida nos anos 60 já não existe. “Paz e amor”, flores e motivos psicodélicos não são mais sinônimos de oposição e rebeldia. Os hippies e os líderes dos movimentos contra as sociedades hipócritas ficaram para trás. Grande parte dos adolescentes estão alienados e não se interessam mais pela política como os que conspiraram contra a ditadura de 68 no Brasil. Aliás, os jovens de todo o mundo estão cada vez mais parecidos, numa busca frenética pelo inusitado, seja ele o que for. E é na pele desses “desencanados” que vive a contracultura dos dias de hoje.

Alternativa: essa é a nova ordem. Os ensinamentos do mestre Timothy Leary estão mais atuais do que nunca. O “surfar no caos”, que uma vez se referia ao uso de LSD para “abrir” a mente, é seguido à risca pela mocidade do espaço cibernético.

A revista Parafernália é um exemplo disso. Segundo M. França, a publicação está interessada em contribuir para “deglutinar o espaço libertário e global” e se rebelar contra o “marasmo intelectual em que a sociedade moderna convive”. A revista – que não tem periodicidade definida porque na opinião de França a arte não pode ter deadline – não pretende criar mitos, movimentos ou rebeldias, mas “lançar no ventilador uma série de recortes, desvarias e convulsões”.

Um poema da contracultura brasileira abre o editorial da Parafernália de setembro de 98:

“a parafernália vai não vai

a parafernália movimenta bits

desarte inventa insight

a parafernália, um mundo

a parafernália é um mundo de

chips, recortes, desvarias.

a parafernália inverte

o traço o bit

o mundo todo gira, rebenta a rede.”

A constante da nova contracultura parece ser a desestruturação do que existe. Não é uma questão de mudar a roupagem e arrepiar os cabelos como os punks fizeram no início dos anos 90. O rock, símbolo da rebeldia dos anos 60, hoje é um mosaico de tendências musicais, tantas quantas são as tribos, grupos de jovens que sugerem novos valores e se destacam pela autenticidade.

A nova geração de contracultura não segue líderes como a anterior. De acordo com R.U.Sirius, que escreveu um artigo para a edição de 9 de novembro de 1998 da revista Time, “a nova contracultura não tem líderes aprovados pela mídia”. Sirius acredita que existe um segmento dentro desse novo movimento muito mais sofisticado e não conformista do que a Nação Woodstock já foi. O co-fundador da revista Mondo 2000 também comenta que os festivais de hoje, como a “Lollapalooza, são mais liberais com relação aos sexos e etnias do que os que os hippies realizavam”.

Os jovens de filosofia “simplista popular hindu” teriam sido, ainda citando Sirius, substituídos pelos inteligentes e espertos programadores de computador, “polimatemáticos” de visão antropológica. Estes jovens criaram boletins como os MUDs e MOOs, espécies de ponto de encontro, painéis para troca de idéias dentro do espaço virtual. Chega a ser complicado para um leigo entender os novos termos usados nessa matéria, provavelmente parte do corrente vocabulário cibernético.

O site “disinformation”, que quer dizer “desinformação” em português, acessado pelo endereço www.disinfo.com é um bom exemplo do movimento da contracultura. No menu, a opção “contracultura” leva a uma lista de links com temas diversos para discussão como por exemplo profecias bíblicas, controle da mente, o bug do milênio, “cientologia” e vida extraterrestre. Encabeçando a lista da página que tem o nome “revolucionários” está o papa do LSD Timothy Leary. Um pouco abaixo estão “Aleister Crowley: a grande besta 666”, “o verdadeiro Jesus” e Allen Ginsberg, entre outros.

A contracultura atual não tem um objetivo comum como a que combateu a guerra do Vietnã. Os adolescentes de hoje nem sempre crescem ouvindo a mensagem do consenso geral, uniforme, construída e transmitida por uma mídia centralizada. Agora existem tevês a cabo e Internet. Para os jovens internautas, estar informado atualmente não é ler os jornais com as notícias do dia. A quantidade de informação disponível é tão grande que já existem cursos que ensinam a selecioná-la. Para eles, a qualidade das informações e o debate sobre as mesmas são mais importantes que o volume.

 
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Publicado por em novembro 18, 2007 em artigo, contracultura